
*Trabalhar a história do design gráfico pressupõe trabalhar a produção de artefactos feitos para terem uma vida curta, na fragilidade do papel, sujeitos aos mais diversos perigos: o sol, as térmitas, o homem. Trabalhar a história do design gráfico é também trabalhar a história das ideias associadas a essa produção, as técnicas, os processos, as correntes estéticas, os usos dos suportes. Não há história sem arquivo e quem controla o arquivo controla as possibilidades de se fazer a história.
São ainda muito escassos, incompletos e nem sempre acessíveis os arquivos dedicados ao design gráfico. A possibilidade de se aceder directamente aos artefactos, senão mesmo às artes finais e outros registos de processo, ainda muito limitada, pelo que não nos resta, na maior parte dos casos, senão um acesso indirecto à história: saber a história por quem a contou.
O acesso directo implica outro tipo de aventuras. Quem investiga sobre design gráfico português, por exemplo, tem a experiência de ter contactado os herdeiros do espólio deste ou daquele designer, deste a viúva mais disponível ao sobrinho-neto mais intratável, últimos guardiães do acesso ao material que pode revelar-se, afinal, o mais surpreendente ou decepcionante, bem conservado e sistematizado, ou atirado para uma cave cheia de humidade.
Trabalhando com os conceitos de *História, Arquivo e Projecto*, aos *alunos do 1º ano do Mestrado de Design de Comunicação* foi pedido que desenvolvessem uma investigação que possibilitasse reunir documentação o mais completa possível de forma a estudar um designer gráfico pouco conhecido. O trabalho não era apenas um elogio ao designer obscuro, que por qualquer razão, a história esqueceu, mas mais do que isso, uma forma de se trabalhar a história do design fazendo-a e de a fazer desde o seu ponto zero, isto é, desde a criação de um arquivo documental.
A reunião dos diversos trabalhos constituiu a exposição a que chamámos de as ideias de The Unknown Designer: Um Arquivo de Possibilidades, assumindo o tópico do arquivo (o seu valor, a sua operatividade, a sua forma) e o interesse de que o arquivo se reveste na construção de dispositivos narrativos associados ao design de comunicação e as reflexões sobre os modos de produção cultural uma importância central articulando-se com o tema da história, permitindo um reflexão sobre autoria, narração, produção e ficção.*
José Bártolo
programa
12 junho — 16h
Exposição The Unknown Designer, Arquivo de Possibilidades
Inauguração com a presença dos alunos do 1º ano de Mestrado de Design de Comunicação e convidados.
13 junho — 15h
Conferência Autoria, Produção e Ficção
introdução de José Bártolo
apresentações de André Santos, Gonçalo Costa, Humberto Marques, Joana Cunha, Mariana Carvalho, Marta Afonso, Marta Ramos, Pedro Lourenço, Ricardo Calabaça, Sara Monteiro, Tyler Johnson.
Créditos
Coordenação josé bártolo
organização esad matosinhos
evento exposição + conferência
data 12 a 15 jun. 2012
local esad