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Em 1991 a revista Emigre lançou o número Starting From Zero, onde estabelecia um confronto com os fundamentos da história do design (e a tendência para eles se traduzirem em fórmulas) e questionava os cânones – esse safe refuge na expressão do crítico Keith Robertson – que, muitas vezes de forma acrítica, orientam o trabalho dos designers.
Starting From Zero funcionava como uma exigência de reflexão crítica sobre o papel do designer gráfico entendido como um operador de ideias e linguagens e um mediador entre públicos.
O que significa hoje Começar do Zero? Que cânones devem ser questionados? Que relação se estabelece hoje entre designers, clientes e públicos? Que princípios éticos e estéticos orientam o trabalho gráfico? Em que fundamentos pode assentar um novo começo da prática do design de comunicação?
Começar do Zero é um mote que tem atravessado a história – feita de rupturas e continuidades – do design gráfico. O sentido, a possibilidade e a actualidade de um começar do zero estarão em debate durante dois dias num encontro de designers e críticos nacionais e internacionais.
Sobre a Impossibilidade de Começar do Zero A ideia de projecto pressupõe sempre um atirar em frente, um atirar em frente uma ideia que ao longo de um processo criativo ganhará forma e se tornará presente. Mas o ponto de origem, o contexto a partir do qual a ideia é lançada – seja quais forem os estímulos que a originam – é sempre uma preexistência. Em design nunca se começa do zero e a própria vontade de começar do zero é sempre o resultado de uma produção cultural que domina o designer.
É certo que as ideias de vanguarda ou revolução são caras ao universo dos designers e recorrentes ao longo da história do design gráfico, mas a revolução corresponde a um processo de modificação de uma realidade – processo, modelo ou acontecimento – já construída.
Revolucionar é, por isso, reconstruir. É esta a incomensurável riqueza do design, construir sobre o já construído, criar sobre o já criado, fazendo uma nova tentativa que, é sabido, nunca será a primeira – e por isso está suportada na história – e nunca será a última. Começar do Zero? Impossível! Determinante é saber Começar de Novo
Sobre a Obrigatoriedade de Começar do Zero A ideia de projecto pressupõe sempre um atirar em frente, um atirar em frente uma ideia que ao longo de um processo criativo ganhará forma e se tornará presente. O longo desse processo, o acontecimento, situação ou objecto de design provocam necessariamente uma modificação contextual. Não há design neutro, o que significa que todo o projecto é susceptível de produzir alterações quer no ponto de chegada (o espaço de recepção, circulação ou consumo), quer no ponto de partida (o espaço de criação, de emissão ou crítica). Todo o design representa um começar do zero, processo para o qual o designer deve estar consciente e responsável.
É sabido que as ideias de vanguarda ou revolução são caras ao universo dos designers e recorrentes ao longo da história do design gráfico, mas se devemos evitar a banalização do impulso revolucionário devemos também evitar o seu esquecimento. Todo o trabalho de design tem um potencial de revolução. Revolucionar significa reconstruir, isto é, redefinir condições, relações, possibilidades para além das existentes.
O designer, visto crescentemente como um mediador, catalisador ou entrepreneur lida cada vez mais com processos de modificação possível. Começar do Zero? Obrigatório! Determinante é explicitar os modos e intenções.
Programa
18 de Novembro
- 15H00 Apresentação - José Bártolo (ESAD)
- 15H30 Conferência - António Silveira Gomes (Barbara Says)
- 16H30 Mesa de Debate - António Silveira Gomes (Barbara Says), João Faria (Drop), João Martino (Martino&Jaña) Temas: história, narrativa, desconstrução, grau-zero, comunicação
19 de Novembro
- 15H00 Conferência - João Bicker (FBA)
- 16H00 Debate: João Bicker (FBA), Antero Ferreira (Antero Ferreira Design), Dino dos Santos (DSType) Temas: novo, escrita, tipo, grafia, linguagem, suporte, contexto.
- 17H00 Conferência - Ricardo Nicolau (Fundação de Serralves)
- 18H00 Debate - Ricardo Nicolau (Fundação de Serralves), Sofia Gonçalves (Flatland), Marco Balesteros (Letra) Temas: novo, edição, DIY, mediação, mercado, política, sociedade.
Créditos
Coordenação josé bártolo
organização esad matosinhos
evento ciclo de conferências
data 18 e 19 nov. 2010
horário 15h - 18h
local esad (auditório)