Projecto orfeu

O PROJETO ORFEU (1956-1983), desenvolvido pelo [Instituto de Etnomusicologia][2] recolhe e estuda o universo da editora Orfeu, contribuindo para a historiografia de Portugal durante este período e propondo um olhar sobre a cultura popular e as dinâmicas da produção e consumo da música. Com uma atenção especial ao editor Arnaldo Trindade, enquanto entusiasta e figura central do projeto, questiona a relação entre a indústria fonográfica, a estética, a política e a transformação social. O projeto é desenvolvido em parceria com a esad–idea, Investigação em Design e Arte, responsável pelo desenvolvimento da imagem gráfica e do website de suporte ao projeto.

O Projecto Orfeu tem como ponto de partida o conjunto de trabalhos acerca da indústria discográfica em Portugal e a constatação da centralidade da editora Orfeu, ilustrando um período marcado por profundas transformações sociais, económicas e políticas, retratando a transição de um regime totalitário (1933-1974) para a democracia como resultado da revolução de abril de 1974; a industrialização; a guerra colonial (1961-1974); as tentativas de integrar a União Europeia que culminaram com a integração de Portugal na então CEE, em 1986; a formalização das instituições democráticas no período pós-revolucionário e o desenvolvimento do capitalismo.

A Orfeu modernizou o sistema de produção musical em Portugal através da adoção e adaptação de modelos comerciais importados e através da diversificação das atividades comerciais. Este projeto explora os modos sobre os quais estas transformações no sistema de produção originaram condições para a emergência de novos estilos de música popular e para a disseminação de músicos que, até então, não estavam representados na indústria discográfica.

Num contexto de censura e repressão social, a Orfeu foi responsável pela edição de músicos que criaram música diametralmente oposta aos estilos que eram suportados pelo Estado e disseminados através da rádio, da televisão e de outras editoras discográficas. Parte dos músicos gravados pela ORFEU opunham-se ideologicamente ao regime, expressando a sua oposição através de um estilo musical híbrido, que acentuava a palavra e que se inspirava na música de tradição rural portuguesa, na música africana, na canção francesa e na nueva canción chilena. Entre os principais músicos ligados à editora contam-se José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, entre outros.

O projeto procura, deste modo, compreender como estes novos estilos de canção constituíam meios para disseminar ideologias e valores democráticos e uma plataforma velada para o debate de ideias usando a metáfora, a intertextualidade poética e musical e outras estratégias contradiscursivas no contexto da censura.

PROGRAMA

10:00 | ABERTURA
José Bártolo
10:15 | PROJECTO ORFEU 1956-1983
Salwa Castelo-Branco Leonor Losa
10:45 | PROJECTO ORFEU 1956-1983 – Imagem gráfica e website
Inês Nepomuceno
11:30 | OLHARES A PARTIR DE FORA – Reflexão pelos consultores do projeto
Jocelyne Guilbault Timothy Taylor

13:00 | ALMOÇO

14:30 | AS MÃOS E OS FRUTOS – A produção da Orfeu [mesa redonda]
Hugo Castro Ricardo Andrade Sofia Lopes Manuel Deniz [moderação]
15:30 | CONTOS VELHOS RUMOS NOVOS — Formas de mediação e receção dos Discos Orfeu [mesa redonda]
Pedro Nunes Salwa Castelo-Branco Nuno Domingos Leonor Losa
Rui Cidra [moderação]
17:00 | GENTE DE AQUI E DE AGORA
Arnaldo Trindade (fundador da ORFEU) David Ferreira (editor discográfico) Conversa com convidados Leonor Losa [moderação]

19:00 | ENCERRAMENTO


28.11.2019, 10:00—19:00 esad—idea, Investigação em Design e Arte Rua Brito Capelo 243, Matosinhos

Créditos

Organização instituto de etnomusicologia — centro de estudos em música e dança (inet-md) / faculdade de ciências sociais e humanas, universidade nova de lisboa (fcsh-nova)
esad—idea, investigação em design e arte

evento apresentação pública

data 28 nov 2019, 10:00—19:00

local esad—idea

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