
Reviver Gutenberg vivendo numa era onde o digital é senhor, é Deus. Para Gutenberg a máquina iria permitir que Deus espalhasse a sua palavra e efectivamente assim o fez. No entanto, a tecnologia evoluiu e Deus passou a ser o homem e a máquina o seu instrumento. Nos dias que correm, os computadores absorvem a inteligência e criatividade dos seus utilizadores e transformam as suas ideias em obras digitais com tão ou melhor qualidade que a invenção de Gutenberg. Será mesmo assim? É um bocado dúbio afirmar isso visto que estamos a verificar um regresso ao passado em direcção ao futuro. Como designers devemos sugar a história, visualizar o presente e projectar o futuro. Assim nasceu o PressLetter, uma exploração da máquina de Gutenberg com o intuito de captar as suas qualidades e fraquezas. Estas últimas foram as que mais nos surpreenderam, dado que foi perceptível a sua enorme capacidade para se adaptar a diversos tipos de materiais. Para os mais curiosos existe uma diferença entre LetterPress (tipografia) e Tipografia de Caracteres Móveis. A primeira funciona à base da existência de um cunho e de um contra cunho, donde resultam os relevos. A segunda é confundida com Letter Press no meio estudantil, no entanto o nome não está correcto. A tipografia de caracteres móveis processa-se da seguinte forma: escolhem-se os tipos (neste caso feitos em madeira), cria-se a composição gráfica na galé (espelhada de modo a que quando impressa seja legível) dentro da rama e por fim preenche--se os espaços em branco com vários tipos de metais denominados de espaçamentos e quadrilongos. Depois de se verificar que os caracteres estão devidamente colocados e presos, a tinta é espalhada manualmente nos rolos de impressão e, assim, a obra nasce. Como referimos anteriormente, explorámos a máquina praticamente até ao limite. Materiais que iam desde a madeira, cortiça, diversos tipos de papéis, plástico, metal, entre outros. Há que salientar que a espessura dos mesmos tem regras específicas, o máximo que pode ser usado são 5mm. Os resultados foram bastante cativantes e notáveis, que variaram consideravelmente devido ao material ser absorvente ou não, bem como se a tinta usada era apenas uma ou então um degradé de 3. PressLetter permitiu-nos então ser pequenos Gutenberg’s durante um dia, explorando ao máximo uma técnica única com resultados bastante atraentes que pudemos inserir no nosso leque de estudos e recursos como futuros designers gráficos. Um especial agradecimento ao professor Fernando Teixeira da E.S. Soares dos Reis por toda a sua disponibilidade e conhecimento partilhado. Miguel Mesquita, Bruno Tomé e José Carvalho
Press Letter Work é a exposição resultante do trabalho desenvolvido pelos alunos Miguel Mesquita, Bruno Tomé e José Carvalho, no âmbito da unidade curricular de Produção Gráfica, coordenada pelo docente Pedro Serapicos. O trabalho foi efetuado com o apoio da Escola Artística Soares dos Reis.
Créditos
Coordenação pedro serapicos
organização esad
evento projeto
data 20 abr a 20 mai 2015
local átrio esad