
O projeto Pancho Guedes Viagens tem como objeto principal a edição de um livro sobre Pancho Guedes, recorrendo a fotografias, inéditas na quase totalidade, da autoria do arquiteto-pintor-escultor, que se descobre agora também fotógrafo exímio e viajante imparável.
O livro desvenda o autor através do modo como o seu olhar captou o mundo. Nos arquivos Pancho Guedes, diapositivos, fotografias impressas, negativos, fotografias de fotografias, fotografias de obras artísticas são de uma quantidade imensa, estimada em cerca de 40.000 peças. A base de trabalho é uma pré-seleção de cerca de 2.000 imagens, que já vem sendo feita por Lucio Magri e José Luís Tavares desde 2011, no âmbito do processo de pesquisa, manutenção e inventariação do material fotográfico dos arquivos Pancho Guedes.
Com a criação e produção do livro, é também concebida uma exposição itinerante e um documentário em vídeo, realizado a partir das sessões de trabalho e entrevista com o artista.
O projeto insere-se no âmbito dos projetos de investigação, editoriais e expositivos da ESAD, tendo sido selecionado no concurso Apoios Pontuais 2014 e contando com o apoio financeiro do Governo de Portugal através da Direção Geral das Artes.
Pancho Guedes Viagens tem programada uma série de apresentações públicas, que vão percorrer sete cidades do país, através de sete escolas superior de arte, design e arquitectura, cabendo à ESAD receber a primeira apresentação pública, em data ainda a designar. Com a inauguração da exposição, haverá conferências sobre as viagens e o processo criativo do livro.
A direção artística do projecto cabe a Lucio Magri e José Luís Tavares, sendo os textos críticos de Eduardo Brito, Luís Bernardo Honwana e Marilyn Martin, o documentário realizado por Israel Pimenta, a consultoria fotográfica de Inês d’Orey e o design gráfico de João Faria/DROP.
Pancho Guedes, ou Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes, A.d’A.M. Guedes ou Amâncio Guedes, é um arquitecto-escultor-pintor com uma impressionante capacidade de produção: só durante o quarto de século que viveu em Moçambique, desenvolveu 600-700 projectos, dos quais 400 terão sido realizados. A sua obra foi publicada em revistas de prestígio internacional como a Architectural Review (Londres), a Architecture d’Aujourd’hui (Paris) ou a A+U (Tóquio), apresentada nas bienais de arte/arquitectura de Veneza e São Paulo, e em importantes exposições em Londres, Cidade do Cabo, Basileia ou Lisboa. Foi um activo membro do Team 10. A partir de certa altura da vida, Pancho Guedes tornou-se um educador convicto, dando aulas e conferências em universidades dos cinco continentes. É também um coleccionador incansável, um dedicado arquivista e um proeminente impulsionador da arte africana.