Este Colóquio,sujeito ao tema genérico ”Interfaces” tem como objectivo reinterpretar e desenvolver as questões deixadas em aberto no primeiro Colóquio que dedicámos a este tema, ha cerca de quatro anos. No contexto actual,"lnterfaces: polis e civitas" representa a título mais adequado pare um colóquio internacional que privilegia uma abordagem que enfatiza como centro do debate, não apenas a cidade com a sua forma fisica, cenário de novas práticas sociais, mas sobretudo, que tende a percorrer o território, nunca suficienternente explorado, em que os desenvolvimentos tecnológicos operam grandes transformações no próprio sentido de urbanidade:polis como complemento inseparável da civitas, entendida esta como sentido de pertença ao mundo. As questões das propostas emergem, pois,dos novos paradigmas que modificaram o estatuto ontológico do homem ampliando-o e replicando-o e,que,num certo sentido, ultrapassaram e modificaram, irreversivelmente,a relacão entre o homern e o ambiente. Esta deixa de ter um cariz privilegiadamente ecológico,na medida em que a interactividade passa a ser cada vez mais mediada pela tecnologia, abrindo-nos para uma infinidade de mundos virtuais em que se esbate, progressivamente, a fronteira entre a realidade física a a realidade digital.O Colóquio"lnterfaces” não pode deixar de integrar a dimensão critica inerente a um tempo polifónico que, neste momento, parece focar-se nas questões da interactividade,da integridade biológica do homem e da fluidez progressiva de todos as conceitos a que a realidade nos tinha habituado. Quem somos,e para onde vamos,continuam a ser as grandes questões e serão elas que orientam o debate em que as Interfaces, evidenciando a relacao entre Polis e Civitas, apresentam, necessariamente, uma carga de devir.