
7 Olhares e 21 Relicários ou um Auto-Retrato como Hipótese é uma exposição de Carlos Marques. São, nas suas palavras, olhares díspares, pensamentos vários, um olhar ligado num sentido próprio. Ideias retidas, interiores formados, metáforas lidas, expressões lembradas. Visão agregada num lugar comum, relance assumido, citação expressa.
A mostra apresenta vinte e um relicários e sete olhares, uma espécie de autorretrato situado na zona de conflito que se pode definir como espaço de tangência, explorando situações de distância, de escala, de pessoal e universal, de similaridade e diversidade.
Depois de ter passado por Cascais, a exposição inaugura agora no Centro de Memória de Vila do Conde, no dia 4 de junho, às 17 horas, onde fica até 16 de outubro de 2016.
7 Olhares e 21 Relicários
4 junho — 16 outubro 2016
Centro de Memória de Vila do Conde
3 outubro 2014 — 11 Janeiro 2015
Fundação D. Luís I, Centro Cultural de Cascais
Carlos Marques é formado em Escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto, onde foi professor durante vários anos. Apresentou o seu trabalho em quase duzentas exposições colectivas e individuais, nacionais e internacionais, sendo uma das participações mais recentes a apresentação das peças Uma Janela para Darwin e Espaço de Ensaio para Testar Impulsos Vários, no âmbito da exposição Exuberâncias da Caixa Preta/comemorações dos 200 anos de Charles Darwin, no Museu Nacional de Soares dos Reis. A sua obra foi premiada e faz parte de várias coleções públicas (câmaras municipais de S. João da Madeira, Porto, Matosinhos, Maia, Famalicão, entre muitas outras), privadas (Bienal de Cerveira, Fundação Couto, Colégio Liverpool, Diamond Board, entre outras), ou museus (British Museum em Londres, Museu de Amadeu de Sousa Cardoso em Amarante, Museu de Arte Contemporânea de Serralves no Porto ou Casa Museu Teixeira Lopes em Vila Nova de Gaia).
No ano de 2009, a propósito de um desafio que me fizeram no sentido de desenvolver uma peça sobre um neurónio, realizei um trabalho que integrou a exposição Exuberâncias da Caixa Preta, comemorativa do aniversário e da publicação do livro. […] A expressão das emoções nos homens e nos animais de Charles Darwin. A partir desse momento, e como consequência dessa ação, passei a interessar-me pela exploração de trabalhos que tinham como principal motivo o estudo de expressões faciais e, esse interesse, acentuou-se mais durante o ano de 2010 quando realizei uma série sistematizada de relevos em madeira, com expressão de humanos e símios que foram agrupados e compostos num tríptico, Uma Janela para Darwin, apresentado posteriormente ao público, em Abril do ano de 2012. […] No trabalho que vinha desenvolvendo em anos anteriores tentava explorar as linhas de tangência, que acredito, separam ou aglutinam formas, objetos, corpos ou coisas que fazendo ou não parte do meu imaginário me inquietam; zonas de passagem, espaços nulos de transição entre dois campos, lugares de fronteira e de distância ou alguns elementos estruturantes da construção arquitectónica, sem nunca abandonar as referências que povoavam o meu subconsciente, a memória que inconscientemente encontramos ou conscientemente elegemos no decorrer do processo. […] O atual trabalho surge dentro destes pressupostos e a escolha do número sete também, pela dualidade e significante que envolve. É, para além de mágico, considerado um número sagrado, o espírito da terra. Concilia na sua construção geométrica, o espírito - o triângulo, e a matéria - o quadrado. Para esta exposição elegi, a memória de expressões plásticas que, de uma ou de outra forma, se tinham tornando referência para a escultura que sempre me interessou e traduzi-a num processo de homenagem e reconhecimento a sete escultores que estão em linha direta com esses pressupostos. […] Os relicários são feitos de acasos e memórias, articulando as suas valências com o processo, cortando, montando, colando, construindo, jogando, tentando não perder a memória das construções de infância, como que num regresso lúdico ao quarto dos brinquedos. A memória funcionou também como alavanca do processo que foi somando formas e ideias, fundindo-as quase por osmose em construções repetidas de interiores, receptáculos da lembrança ou de referências latentes, aparentemente esquecidas, mostrando passagens, adivinhando e escondendo espaços, num recolhimento que se pretende voyeur, num intimismo próprio do lugar destinado às coisas que se guardam. A mostra apresenta vinte e um relicários e sete olhares, de expressão e forma diferenciada, como simulacro de um mesmo retrato. Uma espécie de autoretrato situado na zona de conflito que caracteriza, para mim, o que defino como espaço de tangência. A exploração de situações de distância, de escala, de pessoal e universal, de similaridade e diversidade é o que pretendo em último lugar. É essa zona de tangência, esse espaço de fronteira, essa memória de dois campos ou essa síntese de distância que me importa.
Carlos Marques, Maio 2014